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O melhor de Las Leñas

Por: Fábio Loss dos Santos

O melhor de Las Leñas

Rodávamos praticamente por cima da Cordilheira dos Andes. A paisagem era um misto de deserto e montanhas nevadas, e as estradas, as piores de toda a viagem. Muitos trechos de terra e pedras. Por quilômetros e mais quilômetros, nem uma alma viva. Um ambiente inóspito, quase surreal. Nem parecia que em poucas horas estaríamos sobre nossas pranchas de snowboard, saltando cada bump (montinhos que funcionam como obstáculos) e deslizando sobre cada corrimão do novo Freestyle Park de Las Leñas.

Vínhamos de Bariloche e esse era o último trecho de uma expedição de carro que fizemos em 21 dias pelas dez maiores estações de esqui do Cone Sul. A bordo de um Explorer, Antônio Cava (41 anos, engenheiro e empresário), Rafael Dallagnol (32 anos, administrador), meu xará Fábio Koster (32 anos, empresário) e eu nos revezamos ao volante para rodar, ao todo, quase 10 mil quilômetros. Deixamos Las Leñas para o final e ficamos mais tempo lá - seis dias. Não só porque curtimos o lugar ou porque era o itinerário mais lógico. Mas porque ali rolaria o Campeonato Brasileiro de Snowboard, e eu ia participar. Qualquer um pode fazê-lo, na verdade. Inscrevi-me nas modalidades boardercross e slalom, e competiria na categoria amador.

Uns 200 quilômetros antes de Las Leñas chegar, a paisagem começou a ganhar vida de novo. Pouquíssimas casinhas apareciam ao longo de um rio que corria paralelo à estrada. Ao contrário, a vida dentro do carro sempre era intensa - chegamos a viajar 31 horas direto (entre Porto Alegre, onde moramos, e Uspalta, na Argentina). Somos grandes amigos, mas, ainda assim, uma boa trilha sonora foi imprescindível para a manutenção da nossa sintonia e do nosso bom humor dentro do Explorer. Foi muita surf music e rap nos alto-falantes - e MPB para os momentos de relax.

No fim da tarde, pegamos a estradinha que sai da cidade de Malargüe para ir a Las Leñas. A neve ia tomando conta da paisagem e, de repente, o visual ficou completamente branco, as montanhas e a estrada quase virando uma coisa só. Chegamos. Construída num platô sem vegetação, sua base é um vilarejo, tem alguns hotéis, apart-hotéis, minimercado, ruazinhas ligando cada coisa e, claro, as pistas e os lifts subindo a montanha. Mal manobramos o carro e uns amigos já vieram nos chamar, dois caras também de Porto Alegre, que conhecemos em Valle Nevado dois anos antes. Quem freqüenta estações de esqui sempre acaba se encontrando, ano a ano, por aí, e às vezes vira amigo mesmo.

Acima das nuvens

Tínhamos decidido ficar em um apart-hotel, o Atenas. Apesar de Las Lenãs ter grandes e luxuosos hotéis, como o Piscis e o Escorpio, nossa praia era economizar, e os apart são as opções mais baratas. Claro que agradam a quem viaja de galera. Nos aboletamos num apê (um studio duplo) de dois andares, com dois quartos, um banheiro e uma cozinha toda equipada - ah, no prédio também havia sauna, jacuzzi e serviço de camareira. Era espaço mais que suficiente para nós quatro (cabia até a bagunça do Cava - apesar de ser o mais velho, ele era sempre o mais, digamos, "agitador"). Compramos comida no supermercado, para cozinhar em casa. Poupamos uma boa graninha. E a execução das receitas era sempre por minha conta. Sou um cozinheiro de mão cheia - não saía só massa, não: era filé de frango, filé de carne... Mas, às vezes, comíamos fora. O Santa Fé, por exemplo, é superastral. Fica na montanha, tem ótimo cardápio mexicano - deliciosos burritos, tacos, quesadillas - e variedade de vinhos.

No fim de tarde, o Ufo Point era nossa pedida. A galera sai das pistas e vai pra lá tomar uma caneca de cerveja antes mesmo de tirar as roupas de esqui. O lugar é como um lounge, com decoração modernosa, que, com o passar das horas, vai acelerando o beat de programação sonora. Muita gente dá uma saidinha para tomar banho e logo volta, para jantar. E, depois, continua por lá. Pelas 23h, o Ufo bomba. As mesas são afastadas e aparece uma pista de dança. A tecneira passa a gritar nas caixas de som. Por volta das 2h da madruga, todo mundo migra pro Corona Club, a danceteria bem em frente, que, balançada por dance music e tecno, tem uma noite forte que vai até as 6 horas. Ali você vê por que as noitadas de Las Leñas têm tanta fama. Ela até poderia ser hermana da nossa Campos de Jordão ou da nossa Gramado se, claro, estas fossem resorts e tivessem muita neve.

Só que fizemos esse circuito de balada só umas duas vezes, por dois motivos. Primeiro: meu xará e eu éramos fiéis às nossas namoradas da época; e o Rafa e o Cava são maridos comportados. O segundo é que, na minha opinião, o snowboard é um esporte que não combina muito com noite. Nosso negócio era mesmo curtir o surfe no gelo. Nenhuma balada supera a emoção de descer a Júpiter, uma longa pista vermelha de Las Leñas. Ela começa no topo do Cerro Los Fossiles e dali de cima o visual é show - apesar de não ter lagos como Bariloche. Para subir, pegam-se três lifts - bons, mas meio lentos: levam uns 50 minutos.

Acima das nuvens

E lá estávamos, literalmente, acima das nuvens. Uma camada delas cobria o vale embaixo. Imagine só a adrenalina! Dali nos atiramos sobre as pranchas. Do lado direito, dá para usar a parede da montanha para fazer altas manobras em velocidade. Quando a Júpiter termina, você ainda pode emendar a descida na Netuno, para intermediários, e, depois, na verde Vênus. Esta tem quase 2 quilômetros de extensão - é a pista para principiantes mais longa da América do Sul. Assim, uma vez no alto do Los Fossiles, um esquiador de nível intermediário pode deslizar por 9 quilômetros seguidos. Coisa rara. Entre uma descida e outra, a gente assistia a grupos de crianças tendo aulas de esqui nas pistas verdes, embaixo. Bonito de ver, os pimpolhos com esquizinhos, superequipados.

Outra coisa alucinante em Las Leñas são os fora-de-pista. O Bajar Marte é dos mais radicais que conheço. Superíngreme, tem muitas passagens estreitas, cercadas por pedras. Sensacional. Para descer ali, e em todos os fora-de-pista de Las Leñas, é preciso assinar um termo de compromisso assumindo a responsabilidade por sair dos limites seguros e concordando em pagar entre mil e 5 mil dólares para o resgate, caso precise. E você ganha uma fitinha com número de identificação. Deslizar ali e em terrenos como o Mercurio e o Paraiso, também considerados "esqui extremo", não é mole. Lá, um de nós (fui proibido de contar quem) criou uma nova manobra, digo, estilo de queda: o salto-avestruz. Como a neve destas trilhas é bem fofa, a gente arriscava mais e, nos tombos, esse "um de nós" sempre caía de cabeça no gelo.

Bienvenidos al Chile Pucon

Nessa última temporada, demos sorte. Caiu do céu a maior quantidade de neve dos últimos dez anos. E ainda conhecemos o novo Freestyle Park, cheio de obstáculos, que foi montado na região das pistas Vulcana-Minerva. Tinha também um circuito de boardercross, para saltar e fazer curvas quase deitado. Por essas e por outras, Las Leñas é uma estação de esqui maravilhosa. É completa. E fez valer ainda mais o dinheiro poupado para essa "snowtrip". Gastamos quase 3 mil reais em combustível e 6 mil reais, por pessoa, em despesas com hospedagem, comida e ski pass - já tínhamos roupas e equipamentos. Isso do nosso bolso, mas, antes de começar a viagem (que foi de 16 de agosto a 5 de setembro de 2005), procuramos patrocínio.

Resolvemos estruturar em forma de projeto um sonho antigo: voar com nossos snowboards sobre as pistas das dez maiores estações de esqui da América do Sul - numa viagem de carro. Batizamos o projeto de Expedição Andes Snowboard. A idéia era que a trip também fosse bacana para quem não estivesse nela. Queríamos ajudar a informar todo mundo que tem vontade de deslizar sobre a neve (ou que já pira) - e com muitas dicas low budget. Durante o percurso, filmamos, fotografamos e anotamos tudo sobre a infra-estrutura turística e os terrenos nevados de cada estação. Pusemos o material no site que criamos na volta para divulgar a viagem, o www.snowtrip.com.br. E tudo isso foi apresentado a possíveis parceiros. Não conseguimos dinheiro, mas tivemos o apoio da operadora Point da Neve (com o itinerário e descontos nas hospedagens), da farmácia PanVel (com kit de primeiros socorros e remédios para os males de altitude), da Red Bull (com quatro caixas do energético), da Mecânica Walter (com a preparação do carro) e da seguradora Caburé (que forneceu os seguros de vida e do carro).

Além de Las Leñas, fomos a Portillo, Valle Nevado, La Parva, El Colorado, Chillán, Pucón, Chapelco, Cerro Bayo e Bariloche. Nosso sonho aconteceu. E teve um fechamento com chave de ouro: uma medalha de bronze pra mim, no boardercross. Para 2007, estamos planejando uma expedição parecida, mas pelos centros de esqui do Colorado, nos EUA. Ainda estamos em busca de patrocínio, mas já temos, faz tempo, nosso maior incentivo: loucura pelo snowboard.

Bienvenidos al Chile Pucon

Fábio Loss dos Santos é snowboarder.
 

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