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Cerro Castor - O fim do mundo está próximo

Por: Claudio Campos

O "fim do mundo" está cada vez mais próximo de nós. Com neve quase ao nível do mar, boa infra-estrutura para receber turistas e um moderníssimo centro de esqui, mais e mais brasileiros vem descobrindo as delícias da gelada Ushuaia, a cidade mais meridional do planeta.

A primeira coisa que se aprende ao desembarcar é que os argentinos a chamam de "Ussuaia". Até pegar o jeito você é invariavelmente corrigido a todo instante, então é melhor já ir treinando. A Terra do Fogo, um arquipélago na verdade, tem características próprias que a tornam bem diferente do resto do continente. A colonização só aconteceu a partir de 1884 e a presença cultural dos nativos Yamanas, os "esquimós" do Pólo Sul, ainda é muito forte no artesanato e no folclore da região - apesar de virtualmente dizimados no início do século XX. A grande estrela da gastronomia local é a centolla, um gigantesco crustáceo encontrado logo em frente, nas gélidas águas do Canal de Beagle, pródigo em deliciosos frutos do mar.

Cerro Castor, Ushuaia

A longínqua cidade, a três horas e meia de vôo de Buenos Aires, só começou a crescer realmente quando encontrou sua vocação para o turismo. Parada quase obrigatória dos navios que partem para a Antártida no verão, Ushuaia entrou para valer no roteiro internacional dos esportes de inverno com a inauguração em 2000 do centro de esqui Cerro Castor. Distante apenas 26 quilômetros, a estação está no meio de um parque nacional e suas pistas são cobertas regularmente por camadas de neve do tipo powder, uma raridade em lugares de tão baixa altitude. Como não existem hotéis próximos à estação, quase todos os visitantes, em sua maioria portenhos da capital, hospedam-se mesmo no pequeno centro de Ushuaia. Dá até para ir de táxi à estação (por cerca de 15 dólares), mas sai bem mais em conta embarcar em uma das muitas vans que vão buscando os passageiros nos hotéis. Existem opções para todos os bolsos, desde o luxuoso Las Hayas, com uma vista espetacular do Canal de Beagle, até pousadas do tipo bed-and-breakfast a partir de 30 dólares por dia. Anoitece cedo, mas a vida noturna de Ushuaia não é das mais animadas.

Cerro Castor, Ushuaia

Estamos no paralelo 54, ou tão próximos do Circulo Polar quanto Moscou no hemisfério norte. O clima é glacial nos meses de junho e julho (quando as noites chegam a durar dezoito longas horas), mas as baixas temperaturas também fazem com que Cerro Castor seja normalmente a última estação da América do Sul a desligar seus lifts, em meados de outubro. As temperaturas ficam bem mais amenas a partir do mês de agosto, mas o tempo é sempre imprevisível no extremo sul das Américas. Na tarde em que lá cheguei, na primeira semana de outubro, a clara visão dos picos nevados tão próximos da pista de pouso e a noite estrelada prometiam um lindo dia seguinte. Pela manhã, chovia na base da estação e os lifts estavam fechados - para piorar, a van só voltava para me buscar no final da tarde.

"Aqui é assim mesmo, muda muito rápido" me garantiu o motorista durante a volta, "pode chover, fazer sol e nevar no mesmo dia". E não é que o dia seguinte amanheceu glorioso, sem uma nuvem no céu? Melhor, a intempérie havia depositado vários centímetros de neve virgem na parte superior da montanha.

Cerro Castor, Ushuaia

O teleférico principal, que também transporta visitantes sem esquis, leva até o restaurante na Cota 480 – com cardápio de sushis e comida tailandesa, preparada em panelas wok bem na sua frente. Logo ao lado estão a área de iniciantes e os meios de elevação para a parte alta. Todas as pistas do lado esquerdo passam por um trecho final com muitas árvores, o que aumenta ainda mais a beleza do percurso. A parte central da montanha é cheia de bowls naturais, perfeitos para o snowboard e à direita estão as vistas mais dramáticas - minha favorita é a da pista La Brecha, que como o nome já diz, atravessa uma estreita passagem escavada na rocha até que se descortina uma visão inesquecível da cordilheira, estendendo-se por quilômetros atrás da montanha.

Cerro Castor, Ushuaia

Para quem não esquia e também quer se divertir na neve há muitas opções de passeios em snowmobile ou em trenós puxados por cães siberianos, além de excursões pelos lagos próximos e mini-cruzeiros de um dia pelo litoral, onde freqüentemente podem ser avistados animais como pingüins e leões marinhos. Se o fim do mundo é assim, que venha logo o apocalipse...

Claudio Campos esquia desde o final do século passado e já percorreu dezoito estações da Argentina ao Chile nas últimas temporadas. É colaborador da revista Viagem e Turismo e escreve o BLOG DO ESQUI.


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